terça-feira, 23 de junho de 2009

Da estética à terapia

Da estética à terapia (Correio Braziliense - Brasília)

Jornalista: Rodrigo Craveiro23/06/2009 -

Russel McPhee, de 49 anos, procurou o médico para aplicações de toxina botulínica A — conhecida popularmente como botox. Não se sentia feio, cheio de rugas ou com linhas de expressão típicas de quem envelhece.

Seu problema era muito mais grave: em 1986, um derrame roubou-lhe os movimentos das pernas. O então jovem de 26 anos se viu preso a uma cadeira de rodas. Pouco depois do acidente vascular cerebral, Russel iniciou uma peregrinação por hospitais da Austrália. “Fui a vários médicos e eles tiraram minha esperança”, contou ao Correio, por telefone, de sua casa em Frankston, no estado australiano de Victoria.

“Eles disseram que eu nunca mais tornaria a andar e que eu morreria.” O australiano Nathan Johns, médico especialista em reabilitação do St. John of God Nepean Rehabilitation Hospital, acreditava no oposto.

Foram três aplicações da toxina botulínica tipo A (veja arte) nos músculos das panturrilhas e dos braços. A primeira ocorreu 18 meses atrás e, 10 dias depois, os músculos de Russel começaram a relaxar. Um mês após o início do tratamento, uma surpresa. “Eu não podia acreditar, não consigo explicar o que senti quando fiquei de pé. Foi fantástico.

Sou muito emotivo e chorei bastante. Como chorei!”, lembra o paciente australiano. Enquanto vertia lágrimas, ele dava os primeiros passos em mais de duas décadas. “Eu não imaginava de forma alguma que eu andaria novamente”, admitiu.

“Foi um milagre, mas o botox definitivamente me ajudou.” Johns disse à reportagem que seu paciente chegou ao hospital em Frankston com metas pessoais pré-estabelecidas. Queria voltar a andar.

“Desde 2004, temos usado a toxina botulínica como parte de um programa de reabilitação sob medida”, afirma. O especialista explica que a força muscular e a determinação ajudaram o paciente.

“Atualmente, ele pode caminhar dentro de sua casa com a ajuda de um andador. Durante nossas sessões de fisioterapia, ele consegue dar passos por 100m, com uma muleta. Sua marcha ainda é lenta, por causa da fraqueza de suas pernas”, acrescenta.

Ele garante que a condição de Russel tende a melhor com as sessões de reabilitação duas vezes por semana, combinadas à hidroterapia e terapia ocupacional. “Estamos trabalhando no fortalecimento e no estiramento de seus músculos, procurando aprimorar elementos funcionais, como a velocidade da marcha e o manter-se em pé”, comenta o médico. Duração O segredo da toxina botulínica A está na capacidade de bloquear a transmissão de sinais entre as células nervosas, levando os músculos a relaxar.

De acordo com Valentina Maric, fisioterapeuta de Russel, a toxina botulínica pode ser usada para tratar a espasticidade — aumento do tônus muscular — em pessoas com lesões cerebrais, esclerose múltipla ou sequelas decorridas de derrame e danos à medula espinhal.

A toxina botulínica, no entanto, não dura para sempre no organismo. A substância perde sua eficiência depois de três meses e, após esse prazo, o paciente precisa ser reavaliado por um especialista. Professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenador do Serviço de Reabilitação do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Sérgio Lianza disse que a capacidade de reduzir a contração muscular levou a toxina botulínica a ser amplamente usada na década de 1970 como tratamento para os casos de estrabismo, à medida que ela possibilitava o reequilíbrio da musculatura que movimenta os olhos.

“O médico especializado em reabilitação pode injetar a toxina em músculos pré-selecionados por meio de exame clínico. Após duas semanas, o relaxamento atinge o máximo de seu efeito e se mantém por cerca de três meses”, explicou. “Casos como o de Russel são tratados de maneira semelhante no Brasil desde 1995”, garante Lianza. De acordo com ele, o Centro de Reabilitação da Santa Casa de São Paulo foi pioneiro na terapia com botox.

“Hoje, tratamos cerca de 100 pacientes por ano com medicação fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, acrescentou. "Eu não podia acreditar, não consigo explicar o que senti quando fiquei de pé. Foi fantástico. Sou muito emotivo e chorei bastante. Como chorei!"Russel McPhee, paciente australiano

Obama pede reforma ágil na saúde

Obama pede reforma ágil na saúde (Correio Braziliense - Brasília) Jornalista: Isabel Fleck23/06/2009 -

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, começou a semana demonstrando confiança em um de seus mais ousados projetos. Diante das críticas de parlamentares republicanos e até do ceticismo de seus companheiros de partido sobre a reforma no sistema de saúde norte-americano, resgatou o lema de campanha e garantiu: “Sim, nós podemos aprovar o plano ainda este ano”.

O otimismo é extremamente importante nesta etapa, quando as três comissões da Câmara dos Deputados envolvidas no projeto iniciarão uma série de audições, e o comitê de Saúde do Senado retomará suas sessões públicas.

A principal preocupação é costurar um consenso entre os congressistas para tentar garantir que o projeto passe até o fim de 2009. Em uma cerimônia de 10 minutos na Casa Branca, Obama confirmou ter firmado um acordo de US$ 80 bilhões com as indústrias farmacêuticas na última semana.

Por meio dele, ficou estabelecido que as empresas fornecerão, durante 10 anos, um desconto de 50% aos beneficiados pelo Medicare, programa de saúde público que atende os cidadãos com mais de 65 anos. “Esse é um passo significativo em direção à reforma do sistema de saúde, que vai fazer diferença na vida de muitos americanos mais velhos”, disse o presidente.

Ele ainda destacou que esse acordo ajudará a resolver o “buraco” na cobertura que obrigava os pacientes a pagarem o custo total dos remédios após ultrapassarem os US$ 2,7 mil em receitas médicas. Mas mesmo com esse “passo adiante”, Obama terá que lidar com o fato de o custo do plano ser mais alto do que se esperava— cerca de US$ 1,6 trilhão —, com o lobby das seguradoras de saúde entre os parlamentares democratas e com as acusações republicanas de o projeto ser um modelo “socialista”.

No último domingo, o senador Charles Grassley, o mais importante republicano no Comitê de Finanças da casa, afirmou que uma revisão do projeto de reforma do sistema de saúde deveria ser considerada para garantir mais apoio. “Estamos agora no momento de rever algumas de nossas expectativas para baixar os custos até que ele se torne acessível”, disse Grassley, em entrevista à rede de TV CNN. “Nós não podemos nos comprometer com algo dessa proporção quando temos trilhões de dólares de débito”, acrescentou.

Complicado a senadora democrata Dianne Feinstein é uma das correligionárias de Obama que concorda com os republicanos sobre o projeto para a saúde. Segundo ela, o controle do custo para a reforma e o novo sistema é “um assunto muito complicado”.

“Há muita preocupação até mesmo no caucus democrata”, revelou. Para tentar driblar os obstáculos no Congresso, Obama tem buscado o apoio de quem o ajudou na tarefa bem mais árdua de chegar à Casa Branca. Há alguns dias, os apoiadores cadastrados em seu site de campanha recebem e-mails pedindo para que enviem aos parlamentares mensagens com histórias sobre a precariedade do sistema de saúde.

“Enquanto os lobistas do status quo dizem ao Congresso para desistir, a sua história pessoal lhes dará coragem para seguir em frente (com o projeto)”.

Nas ruas, o apoio à reforma do sistema de saúde conta com a aprovação de 44% da população. Contra o tabagismoBarack Obama sancionou ontem a Lei de Controle do Tabaco e Prevenção do Tabagismo em Família, criada para proteger crianças e jovens dos efeitos nocivos do cigarro. Agora, a FDA — agência reguladora de medicamentos e alimentos — terá autoridade sobre a publicidade e a produção de produtos à base de tabaco.

O vírus do lucro...

O vírus do lucro (Revista Istoé Dinheiro)

Jornalista: José Sérgio Osse 20/06/2009 -

Parece óbvio e até sensato que uma empresa, após gastar milhões de dólares no desenvolvimento de um produto, se recuse a simplesmente doá-lo a quem não tem meios para adquiri-lo. Para a Novartis, porém, a situação é um pouco mais complicada.

A farmacêutica suíça foi a primeira no mundo a desenvolver uma vacina eficaz contra a gripe suína - doença causada pelo vírus H1N1 e que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), já infectou 40 mil pessoas e matou cerca de 170 ao redor do mundo.

Ainda assim, afirmou que não vai atender à solicitação de Margareth Chan, diretora-geral da OMS, e distribuir gratuitamente doses da vacina para países pobres.

Segundo o executivo-chefe da Novartis, Daniel Vasella, é importante que haja uma compensação econômica pelo esforço da companhia. "Se o que se quer é uma produção sustentável, é preciso criar incentivos financeiros", disse o executivo na ocasião do anúncio da vacina, no dia 12, um dia após a OMS confirmar que o mundo vive um estado de pandemia.

Além disso, de acordo com Vasella, uma parcela "significativa" do medicamento já foi reservada por governos de 30 países. Eis aí, mais uma vez, a equação financeira que assombra a indústria farmacêutica no mundo.

Os laboratórios desenvolvem, a cada dia, drogas mais potentes, mais eficazes e mais caras, mas, por conta disso, menos consumidores têm dinheiro para comprá-las. No caso dessa vacina, segundo a Novartis, o investimento foi similar ao que é feito em drogas novas: US$ 1 bilhão. Se as empresas decidem ignorar apelos como os da OMS, passam a sofrer uma forte pressão da opinião pública e de governos de diversos países.

Alguns laboratórios, contudo, já provaram que é possível conciliar os ganhos de receita com o atendimento à população carente. Outras gigantes do setor já se disseram dispostas a doar parte de sua produção a países pobres, quando tiverem a vacina.

A britânica GlaxoSmithKlein (GSK), por exemplo, afirmou que irá doar 50 milhões de doses, o que representa entre US$ 500 milhões e US$ 750 milhões, caso os preços sejam semelhantes aos estimados pela Novartis. Segundo Margareth, essa é uma atitude de "solidariedade" por parte das farmacêuticas.

"A OMS agradece que algumas fabricantes de vacina tenham aceitado doar uma porcentagem de sua produção de vacinas contra a Influenza para serem distribuídas em países em desenvolvimento que não teriam, de outra forma, acesso a elas", diz a organização em nota enviada à DINHEIRO.

No caso da vacina da Novartis, as perspectivas de lucro são significativas. Só o governo dos EUA já reservou o equivalente a US$ 289 milhões do medicamento. Com preço estimado pela própria fabricante entre US$ 10 e US$ 15 a dose, esse montante ficaria entre 19,3 milhões e 28,9 milhões de unidades.

"Do ponto de vista de negócio, essa é uma enorme vantagem para a Novartis e certamente se traduz num ganho econômico para eles", diz o infectologista Davi Lewi, do hospital Albert Einstein.

Segundo ele, a técnica utilizada pela empresa garante uma velocidade de produção muito maior. Como foi a primeira a lançar o produto e a única, até agora, a utilizar a técnica que reduz o tempo de produção, a Novartis se coloca numa posição de poder ditar as regras - e até ignorar apelos da OMS. Mas, mesmo saindo na frente, a farmacêutica ainda não ganhou a corrida. Sua vacina agora entra em período de teste final para aprovação, especialmente nos EUA.

O governo daquele país, apesar de ter adquirido lotes do produto, se mostra reticente quanto a seu uso. Isso devido a um componente, chamado de adjuvante, ainda não aprovado para uso nos EUA. A vitória da Novartis só estará completa se a autorização sair antes do inverno do Hemisfério Norte. Nesse período, diz Lewi, a disseminação da doença tende a se intensificar, devido às condições climáticas na região. (J.S.O.)

Drogaria Pacheco e Óticas Diniz

Drogaria Pacheco e Óticas Diniz buscam espaço em SP (DCI)

Jornalista: Alexandre Melo23/06/2009 -

O maior mercado consumidor do País, o Estado de São Paulo, ainda dispõe de espaços comerciais para abrigar redes interessadas em disputar uma fatia desta concorrida região. Especialistas em geomarketing apontam de que especialmente a Grande São Paulo apresenta oportunidades bem específicas, como os bairros periféricos.

O último grande movimento neste sentido foi protagonizado pelo Magazine Luiza, ao inaugurar 44 lojas simultaneamente em setembro de 2008 - a maioria delas na zona leste da capital paulista.

A próxima varejista que tem o objetivo de repetir feito semelhante é a maranhense Óticas Diniz, cujo plano é abrir 300 franquias no estado até 2013, 50 das quais terão as portas abertas simultaneamente na capital em janeiro do ano que vem. A ambição do fundador e presidente da rede, Arione Monteiro Diniz, e sua cúpula, é atingir o volume de 1 mil lojas daqui a dez anos, fortalecendo-se como uma das principais companhias do seu ramo.

O investimento total no projeto de São Paulo alcançará a quantia aproximada de R$ 90 milhões. O diretor de Expansão, Francisco Vidal, relata que, ao contrário do que se pensa, não há dificuldade de encontrar pontos-de-venda disponíveis.

"Há uma oferta grande, e boa parte deles já foi contratada, estando distribuídos entre a região central, shopping centers e bairros", garante.Para a campanha de mídia, Vidal diz que será utilizada uma estratégia semelhante à do Magazine Luiza, pois desta forma a empresa ganhará mais notoriedade.

A verba de marketing será dividida entre os 50 franqueados, mas o valor não é revelado. "Faremos uma grande inserção em diversos veículos." Para acompanhar os detalhes da expansão, foi trazida para a região central de São Paulo a sede da Diniz Franchising.

Além disso, os responsáveis pelas novas franquias serão diretores da rede no País. O interior do estado foi eleito ponto de expansão, com Bauru, Sorocaba, São José do Rio Preto e Campinas.

O executivo diz também que "a crise não alterou de forma nenhuma os planos da Diniz, que é estruturada para atender todas as classes sociais". Este ano, a franqueadora passou a investir em um novo formato de loja, a Óticas Diniz Prime, instalada prioritariamente em shoppings.

"A cada dez lojas temos o compromisso de instalar uma loja com esse modelo", revela Vidal.Para Francisco Neves, diretor da Escopo GeoMarketing, de mapeamento geodemográfico e ações de marketing para empresas, várias redes estão buscando crescer no mercado paulista, e o crescimento do número de postos de trabalho formais colabora para isso.

"Parte dos novos consumidores não tinham acesso ao crédito há alguns anos e a elasticidade de consumo é maior na classe popular." Neves analisa que o Magazine Luiza tem apanhado bastante em São Paulo, mas aos poucos conquista sua fatia de mercado.

Segundo a própria rede, 20% de seu faturamento já são provenientes das 49 unidades inauguradas desde 2008, do total de 455. "Foi uma tacada muito arriscada.

É necessário capitalizar o negócio para que o retorno venha com o tempo", discorre Neves.A rede de vestuário Hering também considera diversificar sua atuação e ampliar a presença em lojas de rua, tanto que está analisando diversos pontos comerciais no centro de São Paulo em áreas como a Praça da República e a Rua 15 de Novembro, detalhou o especialista da Escopo.

Drogaria considerada a quarta maior do País, atrás de Pague Menos (CE), Drograsil (SP) e Drogaria São Paulo (SP), a carioca Drogarias Pacheco, cujo faturamento foi de R$ 1,2 bilhão ano passado, com crescimento de 22,5%, possui mais de 300 lojas entre os Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Interessada em fugir de regiões saturadas, a rede estuda encontrar alternativas e ir para as comunidades periféricas, caminho considerado mais seguro na abertura de lojas.

O DCI apurou que a rede chegou ao mercado paulista no último mês de março, com a inauguração de seis lojas entre a capital, Santo André e São Caetano do Sul.Neste mês, serão abertas uma unidade no centro e quatro outras na zona sul, uma das quais em Paraisópolis, onde a Casas Bahia já tem uma loja. A unidade da Pacheco no bairro do Jardim São Luiz é alugada, pertencente à loja Móveis São Luiz, que alugou parte de seu estabelecimento ao Ponto Frio, que teve loja inaugurada no último dia 5 de junho.

O gigante ficou ainda maior

O gigante ficou ainda maior (Veja São Paulo)

Jornalista: Camila Antunes
20/06/2009 - Inaugurado pela comunidade judaica no início da década de 70, o Hospital Albert Einstein logo ficou conhecido pela qualidade de seus tratamentos médicos – assim como por suas instalações luxuosas e por seus serviços exclusivos. Na terça (23), esse centro de excelência fica ainda maior, com a abertura de um prédio de dezesseis andares, que custou 220 milhões de reais, na unidade do Morumbi. O edifício será dedicado aos pacientes que não precisam de socorro urgente. No jargão da saúde, um hospital-dia para atender quem agenda um check-up, marca consulta com o endocrinologista ou se submete à retirada de um pequeno mioma pela técnica da laparoscopia (na qual os cortes são mínimos e uma câmera orienta os movimentos do médico). A ampliação, que fará o número de leitos saltar de 485 para 598, tem como objetivo adaptá-lo ao avanço da tecnologia. "Hoje temos tomógrafos que detectam alterações quando elas ainda estão em um nível molecular", afirma o oftalmologista Claudio Luiz Lottenberg, presidente do hospital. "Menos pacientes precisam ser internados ou operados às pressas."

Em contrapartida, cresce muito a demanda por exames e aconselhamento clínico. Por isso, o novo bloco priorizou o espaço dos consultórios, que ocupam cinco pavimentos. Metade do time foi transferida do prédio antigo, abrindo espaço para 72 novos leitos. Os demais profissionais que ganharam uma sala já trabalhavam no hospital e tinham destaque em pesquisas. No 1º piso, há uma ala de internação com 41 apartamentos. Embora os procedimentos a ser feitos nesse prédio sejam em sua maioria pouco invasivos, e não requeiram pernoite, os quartos são equipados com camas reclináveis, sofá para o acompanhante e televisão de LCD. A diária mínima custa 751 reais – sem incluir extras, medicamentos, consultas nem exames. A tarifa-balcão de um apartamento no cinco-estrelas Hilton Morumbi sai por 519 reais. Também o lobby do prédio pode ser comparado ao de um hotel. Com paredes forradas de mármore, é circundado por um espelho-d’água e por um jardim. Esse foi o local escolhido para a festa de abertura. O presidente Lula e o governador José Serra confirmaram presença.

O novo edifício, cujo nome homenageia os patronos Vicky e Joseph Safra, liga-se à torre central por duas passarelas de 35 metros de extensão sobre a Rua Ruggero Fasano. Uma delas serve ao trânsito de funcionários e a outra, a visitantes. Construído num terreno de grande declive, tem dois pisos abaixo do nível da rua, onde ficam o centro cirúrgico e a parte de laboratório e diagnósticos por imagens, equipada com tomógrafos de última geração. Seis outros pavimentos no subsolo devem resolver uma deficiência que vinha se agravando nos últimos tempos: a falta de garagem. Atualmente, o estacionamento descoberto acomoda 1250 carros, e o serviço de valet nem sempre atende à demanda com rapidez. A partir de terça serão 1 800 vagas a mais.

Suas instalações são um privilégio de poucos. Em 2008 passaram por lá 147 000 pacientes – número muito inferior aos 2,5 milhões de pessoas que recorreram aos serviços do Hospital das Clínicas no mesmo período. Ainda assim, o Einstein trabalha com uma taxa de ocupação de 85%. Como o movimento costuma cair aos sábados e domingos, significa que durante a semana o hospital está sempre lotado. Por isso, o projeto de expansão não para por aí. Até 2012, será inaugurado mais um prédio, só para o tratamento de doenças consideradas complexas. No ano que vem fica pronto um auditório para 500 pessoas. Nele, ocorrerão principalmente congressos médicos. "O Einstein tem autoridade em conhecimento", diz Lottenberg. "Queremos dividi-lo com as comunidades parceiras."

Por dentro do novo bloco
ApartamentosSerão 41 novos leitos, com diárias a partir de 751 reais.
ConsultóriosCinco dos dezesseis andares serão tomados por 200 consultórios.
Centro de diagnósticosHoje localizado no prédio antigo, será realocado e terá capacidade de atendimento 50% maior.
TecnologiaO tomógrafo Aquilion One é a vedete do prédio. Usado no exame de doenças coronárias, capta 1 000 imagens por segundo, com 320 detectores. É o único na América Latina.
Centro cirúrgico Vinte salas serão destinadas a intervenções pouco invasivas, cujo pós-operatório na maioria das vezes não exige internação.
Área verde A cobertura e o andar térreo, onde fica a recepção, têm 5 000 metros quadrados de jardim. Um espelho-d’água completa o paisagismo e ajuda a resfriar o edifício, fazendo com que se economize no uso do ar condicionado. EstacionamentoCom seis andares no subsolo, tem capacidade para 1 800 carros. O Einstein contava com 1 250 vagas descobertas.

Japão volta a ter interesse pelo Brasil

Japão volta a se interessar pelo Brasil (Valor Econômico)

Jornalista: Marta Watanabe23/06/2009

As atenções das empresas nipônicas estão voltadas para um horizonte além do arquipélago japonês. Num raio de milhas muito além do continente asiático, o Brasil volta a surgir em posição importante no mapa de investimentos das companhias japonesas exatamente no momento em que esse pequeno país insular do outro lado mundo coleciona vários dos piores índices macroeconômicos das últimas décadas.

Apesar do prejuízo global no ano fiscal de 2008 (encerrado em março) e da revisão do plano mundial de investimentos em razão da crise, a Toyota reserva para o Brasil a maior ampliação de produção que deverá realizar nos próximos anos, depois de adiar projetos nos Estados Unidos e na China.

A Daiichi Sankyo, segunda maior farmacêutica do Japão, vai duplicar ou até triplicar a capacidade produtiva no Brasil. Dentro de uma estratégia para ampliar a oferta de cereais a partir de países produtores de grãos, a trading Marubeni quer um novo centro de distribuição de grãos no Brasil, principalmente soja.

As três companhias não fazem movimentos isolados. A Jetro, órgão do governo japonês para promoção de investimentos, registra um aumento de interesse das empresas nipônicas pelo Brasil.

Em 2008 o escritório brasileiro passou do 15º para o sexto lugar em volume de consultas, entre os 55 países em que a Jetro atua. E este ano a expectativa é de que o Brasil mantenha a sua classificação. "Esperávamos uma redução no volume de consultas em 2009, mas isso não ocorreu. O que percebemos foi uma mudança no perfil de empresas interessadas no Brasil", diz Rei Oiwa, diretor de pesquisas da Jetro no Brasil. Para Oiwa e para economistas, as atenções para o Brasil não acontecem à toa.

Na verdade não resta aos japoneses outra alternativa senão olhar para fora e arriscar distâncias maiores. Os dados da economia japonesa não são animadores. Depois de amargar uma queda de 15% no PIB no primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período de 2008, o Japão deve fechar 2009 com queda de 6,25% na economia, prevê o Fundo Monetário Internacional (FMI). Mesmo com o anúncio do pacote fiscal do governo em março, de cerca de 3% do PIB, o maior desde a Segunda Guerra Mundial, é claro para todos que a solução não está no mercado interno. Pelo contrário.

Como resposta à crise, o consumo caiu rapidamente e os últimos dados do governo japonês apontam deflação de 0,1% no acumulado dos últimos 12 meses em março e abril. "O Banco Central japonês será capaz de lidar com a deflação mas, de qualquer forma, a resposta para as empresas japonesas está no exterior", diz Toshihiro Ihori, professor de Economia da Universidade de Tóquio.

A crise reforçou a certeza de que novos mercados externos são a única saída para que as grandes companhias do Japão recuperem parte do nível de produção do ano anterior e amenizem a dependência em relação às exportações para Estados Unidos e China, acrescenta o economista Kotaro Horisaka, da Universidade de Sophia. Fundada há mais de 70 anos e listada entre as maiores companhias do mundo, os números da montadora Toyota, um ícone da indústria japonesa, reproduzem a queda de produção e a capacidade ociosa que prevalecem nos números das empresas japonesas.

Yuta Kaga, do departamento de comunicação corporativa da Toyota, diz que hoje a montadora tem capacidade para fabricar 10 milhões de carros anualmente. No ano passado, porém, saíram das linhas de produção do grupo todo 9,24 milhões de veículos. A previsão, explica, é a de que o volume de automóveis em 2009 seja menor ainda.

A necessidade de reduzir essa disparidade entre capacidade e produção efetiva resultou em uma revisão de projetos de investimento. Nessa linha, foram adiados planos de aumento de capacidade de produção nos Estados Unidos. "Mas na Índia e no Brasil os projetos estão mantidos."Na Índia, a Toyota planeja produzir a partir de 2010 um carro popular de nova geração.

A nova fábrica será levantada ao lado de outra já existente e será capaz de montar 70 mil veículos anualmente, metade do potencial reservado ao Brasil. A fábrica em Sorocaba, interior do Estado de São Paulo, terá capacidade para 150 mil automóveis e contratará 2,5 mil pessoas.

Segundo Kaga, o projeto para o Brasil é maior até mesmo que a fábrica recém-inaugurada em maio pela Toyota na China, para a fabricação do sedan Camry, com capacidade de 120 mil veículos e empregando 600 pessoas.

O Brasil, diz, é um dos poucos locais em que a Toyota manteve produção, sem grande oscilação no número de empregados. Ele conta que de janeiro a abril a produção de veículos no Brasil aumentou 107% em relação ao mesmo período do ano passado. Incluindo os importados, diz, houve crescimento de 133% nas vendas de carros Toyota no Brasil.

Kaga reconhece que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) teve influência no desempenho da montadora no primeiro quadrimestre, provocando antecipação de compras. Por isso, a perspectiva para todo o ano de 2009 é mais conservadora. Ele acredita que o volume de veículos vendidos este ano no Brasil será o mesmo de 2008, o que é considerado um bom resultado. Mundialmente a Toyota estima para o ano fiscal de 2009 queda de vendas na casa de 1 milhão de veículos.

A montadora ainda não divulga o valor do investimento no Brasil, mas mantém previsão de operação a partir de 2011.O mercado brasileiro é considerado promissor, diz Kaga. "As famílias na Europa, América do Norte e Japão já possuem o número de carros necessários", diz. No Brasil há ainda demanda reprimida e perspectiva de elevação da renda. Para Rei Oiwa, da Jetro, o Brasil começou a atrair setores novos da indústria japonesa. "Antes as atenções estavam para a exploração de recursos naturais, para o setor automobilístico e de eletrônicos." Agora surgem fabricantes de têxteis, perfumaria, cosméticos, remédios e de eletrodomésticos.

Por enquanto a Daiichi Sankyo, é a única farmacêutica japonesa que tem indústria instalada no Brasil. A matriz da segunda maior fabricante de remédios do Japão diz que o Brasil terá o maior investimento na América Latina. Ela deve aplicar no biênio 2009 e 2010 um total de R$ 28 milhões para duplicar ou até triplicar a fábrica de Barueri, na grande São Paulo.

A fábrica trabalha hoje em dois turnos e com 100% de sua capacidade. Os recursos devem ser aplicados também em renovação tecnológica para produção de novos medicamentos. Segundo o gerente do grupo de planejamento de negócios internacionais, Toru Kirikoshi, com o investimento, a farmacêutica centraliza no Brasil a fabricação voltada para exportação ao México, Venezuela e Argentina, mercados que representam entre 30% e 40% da fábrica brasileira.

Para Kirikoshi, o Brasil é interessante por ser um "mercado híbrido", que tem consumidores não só para os genéricos da indiana Ranbaxy, adquirida pelo grupo no ano passado, como também um mercado crescente para os remédios patenteados produzidos em Barueri.

Com a maior disponibilidade de renda, as doenças no Brasil se assemelham às dos países desenvolvidos e há consumo para os medicamentos patenteados, mais caros que os genéricos. As perspectivas para os resultados da empresa no Brasil são boas.

Em 2008 a Daiichi Sankyo fechou com R$ 95 milhões em receitas de vendas no Brasil, o que representa aumento de 22% em relação a 2007. Para 2009, a previsão é de aumento de 20% em relação ao ano passado. Números que chamam atenção na comparação com o resultado financeiro consolidado da companhia, cujas vendas líquidas no ano fiscal de 2008 - de abril de 2008 a março de 2009 - caíram 4,3% em relação a 2007. A previsão para 2009 é que as vendas líquidas consolidadas aumentem em 14% em relação ao ano fiscal de 2008.

Numa área considerada mais tradicional, a Marubeni aposta em várias frentes no Brasil. A empresa é representante no Japão para aviões da Embraer e tem acordo de intenções com a Petrobras para compra de participação em refinaria no Maranhão, além de interesses diversos, que incluem TV Digital e o projeto do trem-bala. A trading também assinou em maio com a brasileira Amaggi um outro acordo de intenções para formar uma parceria e ampliar a infraestrutura logística disponível de transporte e armazenamento de grãos no Brasil, em sua maior parte de soja não-transgênica para ser vendida na Ásia, principalmente China.

O Brasil está no mapa de investimentos da trading, que quer aumentar a capacidade de oferta nos países produtores de grãos e fazer com que os cereais que embarcam nos portos brasileiros ganhem maior competitividade e lucratividade.O gerente-geral do departamento de grãos da Marubeni, Satoshi Wakabayashi, lembra que a trading possui 24,5% no terminal marítimo Terlogs, em São Francisco do Sul (SC). A empresa estuda a possibilidade de ampliar a participação na Terlogs, mas a trading usa portos em outros locais e, por isso, quer maior infraestrutura logística em outro local.

"Para a China temos capacidade de exportação de cerca de 4 milhões de toneladas. Do Brasil, temos capacidade de 1 milhão de toneladas. Junto com a Argentina, são 2 milhões. Por isso, para ganhar competitividade, há necessidade de ter um outro depósito central para escoar melhor a produção." Wakabayashi diz que o nível de investimento ainda não está definido e nem o local. De acordo com o gerente, a Marubeni e a Amaggi deverão discutir os detalhes do projeto a partir de julho.

Semelhança entre embalagens

Projeto permite semelhança entre embalagens de medicamentos (Agência Câmara)
Jornalista: Rodrigo Bittar
19/06/2009 - A Câmara analisa o Projeto de Lei 4926/09, do deputado Jorginho Maluly (DEM-SP), que autoriza a semelhança entre embalagens de medicamentos de referência e seus genéricos, desde que não exijam prescrição médica.

A proposta permite ainda que a embalagem do genérico indique a marca do medicamento de referência, com a condição de que respeitem as seguintes regras:
- a grafia seja de fácil leitura - não é permitido o uso de grafia estilizada - e a informação situada na parte frontal da embalagem com a expressão "medicamento de referência";
- o tamanho das letras do nome comercial do medicamento de referência não poderá ser maior que 25% do tamanho das letras da denominação genérica.

Comparar preços
Para que o medicamento genérico sem prescrição médica obtenha registro, o projeto determina que será obrigatória a apresentação - em cores - das embalagens como serão comercializadas.

"Esta medida simples é importante para o cidadão localizar e visualizar medicamentos idênticos, fabricados por diferentes indústrias e comparar preços com mais transparência e segurança", destacou o deputado. "Permitirá ainda a aplicação da lei de mercado para se conseguir uma maior concorrência e menores preços finais."

TramitaçãoO projeto será analisado de forma conclusiva pelas comissões de Defesa do Consumidor; de Seguridade Social e Família; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.